segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Pra não dizer que não falei da chuva



O céu tá desabando lá fora e, aqui dentro, embora limitada, eu sigo.
Por todos os cômodos, ou sentada numa poltrona velha, eu sigo.
É meu jeito de seguir.
Gosto desse clima úmido e do céu cinza, algum canto do meu eu se identifica e se sente à vontade.
Por falar em vontade, ela cresce.
Vontade de ser feliz hoje e amanhã.
E quando o depois de amanhã chegar ser feliz de novo.
Embora esteja tudo cinza do lado de fora, e meu lado de dentro se identificar com isso, sentir-se em paz é tudo que eu preciso.
Uma boa xícara de café quente, um bloco de notas, o barulho da chuva e a certeza de que por traz das nuvens carregadas, brilha um lindo sol. É tudo que eu preciso pra ser feliz hoje, e amanhã, e depois, e depois...

Estar em paz independe do lugar em que você está!
Lá fora chove, mas um sol brilha aqui dentro, sinto-me aquecida entre um raio e outro, que perpassa os obstáculos e me atinge.
Faça chuva ou sol, poltrona ou sofá de três lugares, eu seguirei.
Seguirei sempre.
Sigo em paz!


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Faxina de sent-idos


Elizabet estava cansada demais aquele dia, cansada de tudo e de todos, tudo que ela queria era tirar férias dela mesma e viajar pra um sub-mundo onde não encontrasse as mesmas pessoas de sempre.
Elizabet chegou em casa já era noite, tirou o salto, jogou a bolsa em qualquer canto, acendeu um cigarro e por alguns minutos teve paz...
Cigarro queimando, e seus pensamentos viajando com a fumaça, sumindo. Elizabet talvez não estivesse mais na sala de sua casa acompanhada de um cigarro à meia luz.
Era tarde, e embora cansada Elizabet percebe que enquanto as coisas estivessem fora do lugar ela não descansaria.
"Arruma a casa Elizabet"... Talvez fosse a voz de seu interior falando..
"Olha pra esse apartamento! Passou um furacão aqui."
Sim, havia passado uma tormenta naquele lugar, mas isso não importa mais.
É hora de arrumar as coisas, colocá-las no lugar...
Começa pelas gavetas.
Organiza as coisas, joga fora papéis. Retira aquelas roupas que não usa mais, (elas irão pra doação)
Limpa a mesinha do escritório, sem marcas da caneca de café e cinzas de cigarro.
Coloca as roupas na máquina, troca as roupas de cama, tira o pó.
Limpa o chão. Retira as pegadas de todos os que tiveram ali.
Porra, isso cansa!
E no final da faxina, sozinha, Elizabet toma um banho pra relaxar, acende um cigarro e sozinha ela dança pela madrugada em sua casa.
Elizabet está em paz e pronta para o novo dia que está prestes a chegar.

"Sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus!"

terça-feira, 23 de junho de 2015

Poemar-se


Poemar-se
amar-se
se
seria
Poesia
põe
és
ia
iria
não foi
Sempre uma boa companhia!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Não ame aqui


Descobri que sou um perigo para mim mesma. 
Sinto, demasiadamente tudo.
Se é pra gostar,
gosto descomedidamente,
se é pra sentir,
sinto.
Sinto. Muito.
Se é pra amar, amo em demasia.
Isso tem me feito um mal danado.
É que amar nesses tempos é coisa de gente corajosa.
E eu, que nunca tive medo de nada...
Sempre fui das que pula na piscina primeiro, independente se a água vai ta gelada, ou, se daria pé pra mim ou não.
Sempre fui a que subia primeiro nas árvores, e a que enfrentava o cachorro bravo do visinho na hora de pular o muro e buscar a bola da galera.
É que amar, hoje, é mais perigoso que o pitbull do visinho e sempre termino faltando membros.
"Quem fica é quem sofre" as faltas de membros.
Sou um perigo pra mim.
De hoje em diante, declaro fechada a temporada de se entregar em endereços errados.



 Quem vai, vai porque precisa
Quem fica, fica porque não pôde ir
Quem fica é quem sofre ♪♫



Me salvem de mim


Onde eu aperto para ser outra pessoa?
Como faz pra abrir este ziper e abandonar essa carcaça?
Cansei de mim.
Cansei de me ser.
Cansei de pensar o que penso, de amar o que amo, de esperar o que nunca virá.
Quero ser outra pessoa.
Um mendigo qualquer talvez, que não tenha a vida que tenho.
É responsabilidade demais carregar esse TANTO de eu dentro de mim.
É tudo muito do lado de dentro, embora eu não seja não grande assim.
Alguém me salva de mim?
Eu me mato diariamente por um amor que já matou outras 27 vezes, e mesmo assim me arrisquei pela 28° vez, e morro.
Eu sempre morro no final!
Que morte horrível!
Quero des-ser!
Descer, correr, sumir...
Qualquer coisa que não seja eu, dentro de mim mesma.
Aceito ser o passarinho da gaiola, ou a borboleta, o a abelhinha...São tantos personagens que já nem sei mais quem sou.
Só sei que dói.
Sangra, arde.
Quero des-ser!
Onde clica pra passar de fase, e começar um jogo novo?
É que eu cansei dessa lutinha, e esse negócio de quem chega primeiro nas corridas também não tem nada a ver comigo.
E por falar em mim, cadê eu?
Parti.
Me partiu. em. mil. pedaços.
Part-ir.
Ir.
Fui. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Pens(a-n-do)


Sinto saudades do que fui, e do que seria, se tivesse sido tudo diferente.
Hoje me sobram espaços, lacunas, perguntas ansiosas por respostas.
E são tantas marcas que ja fazem parte do que eu sou agora, mas ainda sei me virar...
Eu sempre soube. E ainda que vire, revire, me vire do avesso eu ainda te encontraria em mim.
Quero des-ser.
Onde aperta pra trocar de armadura? É que eu cansei de habitar este corpo que não mais me pertence. Porque te entreguei tudo que eu era, e quando partiu não me restou nada além de saudade e espaços vazios.
Hoje transbordo vazios, que um dia foram cheios de você.
Me entreguei.
Saltei de um penhasco sem pára-quedas, esperando ser amparada. Mas você não estava mais lá, e me despedacei com o impacto ao chão.
Coração que já havia sido colado outras 27 vezes, em pedaços novamente.
Levanta, sacode a poeira e da a volta por cima Elizabeth!
Não é tão simples assim.
João de Barro eu te entendo agora...
A mesma que matou o Dragão, se cansa da Princesa e a devolve ao castelo.
Simples assim.
Antes o Dragão tivesse vivo para servir de companhia no castelo.
Castelo vazio.
Coração despedaçado.
Vazio.
Vazio. Vazio. Vazio... Repete.
Calma, espera, que nada melhor que o tempo pra colar os pedaços e te fazer inteira novamente.
Será que temos esse tempo pra perder?



sexta-feira, 12 de junho de 2015