Porque essa capacidade, infinita, de se encantar com as belezas da vida, carece de um Canto específico.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Tempestade
Elizabeth gosta de dias nublados da mesma forma que ama o barulho da chuva caindo lá fora.
Acontece que às vezes chove aqui dentro também, e ela... bem, ela se molha.
Ta na chuva é pra se molhar.
E ela se permite molhar e umedecer o ambiente, entende que isso é bom... Aproveita pra limpar a casa já que a chuva leva a poeira embora.
Passa pano, lustra os móveis, troca-os de lugar, joga algumas coisas fora - não carece de guardá-las mais.
"Nada como uma casa limpa." Ela pensa.
Hoje é um desses dias... Tá caindo o mundo lá fora, mas aqui dentro as coisas começam a se reerguer.
É que a chuva lava e leva embora o que não precisa mais ficar.
E quem precisa de casa empoeirada não é mesmo?
Elizabet sofre de rinite alérgica... às vezes é inconsequente com sua saúde, mas quando percebe a poeira em que sua casa está afundada, deixa a chuva lavar.
Faz bem pras plantas, pra terra, pros bichos e mata os ácaros encrustados na alma.
Chuva de paz interior... Alma limpa.
Carece de se permitir ter paz.
E ela... bem... se encharca porque não é mulher de chuviscos.
Ela é tempestade.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Amar
Eizabeth entende mesmo de amor...
Ama errado quem ama esperando algo em troca...
Amor é presente, e não se dá um presente esperando outro.
Amar não é "amigo secreto" de fim de ano.
Não é moeda de troca!
Amor só é amor se for gratuito; e a consequência de senti-lo nem sempre é presença.
Às vezes é ausência. E paciência se assim for.
Quem ama esperando retribuição, seja ela qual for, ta amando errado.
Que eu ame até explodir. Mas que seja gratuito.
Doa-se amor.
"Meu amor é teu
mas dou-te mais uma vez
Meu bem, saudade é pra quem tem"
domingo, 14 de agosto de 2016
Auto-retrato
Imensidão...
Elizabeth é imensidão, de ser e sentir.
Tudo é demasiado em seu mundo.
O signo é de ar e nele ela voa alto.
Tudo é demasiado em seu mundo.
O signo é de ar e nele ela voa alto.
Não têm os pés no chão. Aliás, o que é chão?
É passarinha fora da gaiola.
É passarinha fora da gaiola.
De prisão, prefere se prender ao amor. Que, por ironia é libertador. E nele, voa alto, toca as nuvens que têm sabor de algodão doce. Lá em cima se lambuza.
Flores no cabelo, mas as borboletas visitam mesmo é o estômago.
Flores no cabelo, mas as borboletas visitam mesmo é o estômago.
Fazem festa, alvoroço la dentro.
Bailam tanto que chega balançar o coração. Este, pulsa forte, salta a camiseta no peito.
Peito imenso, embora a estatura pequena.
Cabe tudo ali dentro.
Peito imenso, embora a estatura pequena.
Cabe tudo ali dentro.
Um céu inteiro, de passarinhos e borboletas sortidas.
As flores enfeitam os cabelos e a alma.
Alma de poeta passarinha; que voa, que ama, tudo demais. Alto demais!
É imensidão.
Não se cabe.
Transborda. Na imensidão do céu de sentimentos.
Auto-retrato!
As flores enfeitam os cabelos e a alma.
Alma de poeta passarinha; que voa, que ama, tudo demais. Alto demais!
É imensidão.
Não se cabe.
Transborda. Na imensidão do céu de sentimentos.
Auto-retrato!
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Bem, as malas estavam prontas, enfileiradas em ordem crescente, próxima à porta de saída. Na parede, os ponteiros do relógio pareciam se arrastar, como se lhes custassem muito uma volta a mais e, pensei que talvez, eles pudessem me compreender.
O taxi ainda não havia chegado – afinal, ainda faltavam duas horas para o combinado; Cigarro e isqueiro nas mãos, fui até o jardim, ainda sem muita iluminação depois que uma das lâmpadas queimou na última semana. Acomodei-me, desconfortável, não por culpa da pedra que escolhi como banco, mas por outras culpas que me doíam a coluna e o coração. Acendi o cigarro e meus olhos doeram; Pensei que deveria ser dor de choro ou, da fumaça que subia da fogueira que ascendi entre meus pulmões, para queimar memórias na inquisição que impus a mim mesma.
Na cabeça, ainda ressoava o que o Tempo disse: “Você não pode mudar o passado. Ele sempre foi. Ele sempre será, mas, eu ousaria dizer, você pode aprender alguma coisa com ele...”.
Cronosfera quebrada, pensei. Sem voltas, conclui. E pude sentir o desespero dos olhos do Chapeleiro estampados nos meus...
Algum tempo passado e o taxi buzina no portão dos sonhos, saio carregando malas pesadas, carregadas de passado e histórias.
Hesitei em levá-las uma vez que para trazer novas experiências carecesse de espaço para cabê-las.
Os relógios pareciam não ir com a minha cara, pois esperei por mais duas horas no aeroporto. Quando a voz no auto-falante ressoou: “Passageiros do voo 357 com destino ao País dos Sonhos, encaminhar-se ao portão de embarque!”
Já na fila, com as mãos suando frio, (nunca havia voado de avião) uma moça se colocava atrás de mim – morena, estatura média e uma beleza única de modo que me chamou atenção.
Entro no avião, sento-me no local predestinado, olho para o lado, a linda moça morena da fila viajaria ao meu lado por 12 horas seguidas.
Sento-me timidamente a seu lado e eis que ela começa um assunto qualquer...
_ Tenho medo de altura, você pode segurar minha mão?
Eu, que sempre me disponho a ajudar não pensei duas vezes em segurar sua mão e começar um discurso de superação a fim de distraí-la.
Conversamos por horas a fio, sem notar que estávamos chegando ao destino.
Alice era seu nome.
Lindo nome, linda Alice.
Me contara toda sua vida, suas viagens, amores...
Pousamos e sem querer, tivemos que nos despedir, uma vez que, agora em chão firme cada uma tomaria um rumo diferente.
Uma das despedidas mais difíceis eu diria. Alice se tornara uma das únicas pessoas que me fizera querer conversar e levar comigo para onde quer fosse no novo país.
Sonhar sozinho têm suas desvantagens.
Tolas. Não sabíamos que a viagem nos traria mais uma surpresa.
Já na entrada do hotel onde ficaria hospedada, avisto a linda moça no balcão de recepção. Caminho até o balcão, já que também teria de fazer o check-in, coloco a mão direita sobre seu ombro e beijo-lhe o rosto.
_ Olá Alice. Você por aqui?
Eu disse em tom de piada. Rimos e nos abraçamos em seguida.
A ironia do destino ao País dos Sonhos nos deixara assustadas, mas bastante contentes com a surpresa. Combinamos um café antes do anoitecer, e, assim o fizemos.
Viciadas em cafeína, este era só mais um ponto de identificação em mais 4 horas de conversa sentadas no café ao lado do hotel.
Alice e eu passaríamos e passamos exatos 30 dias vivenciando juntas essa viagem.
No roteiro estava, adegas de vinhos, teatros, museus, bares, até balada em um dos sábados nós pegamos.
E foi, exatamente neste dia já embriagadas de vodka e cerveja artesanal. Embaladas pelo som eletrônico que tocava na boate, Alice e eu nos olhamos fixamente. Segurei sua mão esquerda com minha mão direita e nos beijamos.
Isso seria ótimo, não fosse nossa última noite no País dos Sonhos.
Chegando no hotel, decidimos por dormirmos no meu quarto, abrimos um vinho seco safra 1980 e abençoadas por Baco nos amamos na última noite juntas.
Seria essa realmente a última noite?
Fato é que as sete da manhã eu voltaria para casa e Alice continuaria sua viagem.
Alice se foi, e nem mesmo Absolem pode me dizer onde encontra-la.
E cá estou eu, de malas feitas, desfazendo o que restou das maravilhas deste país que nos coube tão bem.
"Com quantos tragos te trago pra mim? (Alice)"
Bem, as malas estavam prontas, enfileiradas em ordem crescente, próxima à porta de saída. Na parede, os ponteiros do relógio pareciam se arrastar, como se lhes custassem muito uma volta a mais e, pensei que talvez, eles pudessem me compreender.
O taxi ainda não havia chegado – afinal, ainda faltavam duas horas para o combinado; Cigarro e isqueiro nas mãos, fui até o jardim, ainda sem muita iluminação depois que uma das lâmpadas queimou na última semana. Acomodei-me, desconfortável, não por culpa da pedra que escolhi como banco, mas por outras culpas que me doíam a coluna e o coração. Acendi o cigarro e meus olhos doeram; Pensei que deveria ser dor de choro ou, da fumaça que subia da fogueira que ascendi entre meus pulmões, para queimar memórias na inquisição que impus a mim mesma.
Na cabeça, ainda ressoava o que o Tempo disse: “Você não pode mudar o passado. Ele sempre foi. Ele sempre será, mas, eu ousaria dizer, você pode aprender alguma coisa com ele...”.
Cronosfera quebrada, pensei. Sem voltas, conclui. E pude sentir o desespero dos olhos do Chapeleiro estampados nos meus...
Algum tempo passado e o taxi buzina no portão dos sonhos, saio carregando malas pesadas, carregadas de passado e histórias.
Hesitei em levá-las uma vez que para trazer novas experiências carecesse de espaço para cabê-las.
Os relógios pareciam não ir com a minha cara, pois esperei por mais duas horas no aeroporto. Quando a voz no auto-falante ressoou: “Passageiros do voo 357 com destino ao País dos Sonhos, encaminhar-se ao portão de embarque!”
Já na fila, com as mãos suando frio, (nunca havia voado de avião) uma moça se colocava atrás de mim – morena, estatura média e uma beleza única de modo que me chamou atenção.
Entro no avião, sento-me no local predestinado, olho para o lado, a linda moça morena da fila viajaria ao meu lado por 12 horas seguidas.
Sento-me timidamente a seu lado e eis que ela começa um assunto qualquer...
_ Tenho medo de altura, você pode segurar minha mão?
Eu, que sempre me disponho a ajudar não pensei duas vezes em segurar sua mão e começar um discurso de superação a fim de distraí-la.
Conversamos por horas a fio, sem notar que estávamos chegando ao destino.
Alice era seu nome.
Lindo nome, linda Alice.
Me contara toda sua vida, suas viagens, amores...
Pousamos e sem querer, tivemos que nos despedir, uma vez que, agora em chão firme cada uma tomaria um rumo diferente.
Uma das despedidas mais difíceis eu diria. Alice se tornara uma das únicas pessoas que me fizera querer conversar e levar comigo para onde quer fosse no novo país.
Sonhar sozinho têm suas desvantagens.
Tolas. Não sabíamos que a viagem nos traria mais uma surpresa.
Já na entrada do hotel onde ficaria hospedada, avisto a linda moça no balcão de recepção. Caminho até o balcão, já que também teria de fazer o check-in, coloco a mão direita sobre seu ombro e beijo-lhe o rosto.
_ Olá Alice. Você por aqui?
Eu disse em tom de piada. Rimos e nos abraçamos em seguida.
A ironia do destino ao País dos Sonhos nos deixara assustadas, mas bastante contentes com a surpresa. Combinamos um café antes do anoitecer, e, assim o fizemos.
Viciadas em cafeína, este era só mais um ponto de identificação em mais 4 horas de conversa sentadas no café ao lado do hotel.
Alice e eu passaríamos e passamos exatos 30 dias vivenciando juntas essa viagem.
No roteiro estava, adegas de vinhos, teatros, museus, bares, até balada em um dos sábados nós pegamos.
E foi, exatamente neste dia já embriagadas de vodka e cerveja artesanal. Embaladas pelo som eletrônico que tocava na boate, Alice e eu nos olhamos fixamente. Segurei sua mão esquerda com minha mão direita e nos beijamos.
Isso seria ótimo, não fosse nossa última noite no País dos Sonhos.
Chegando no hotel, decidimos por dormirmos no meu quarto, abrimos um vinho seco safra 1980 e abençoadas por Baco nos amamos na última noite juntas.
Seria essa realmente a última noite?
Fato é que as sete da manhã eu voltaria para casa e Alice continuaria sua viagem.
Alice se foi, e nem mesmo Absolem pode me dizer onde encontra-la.
E cá estou eu, de malas feitas, desfazendo o que restou das maravilhas deste país que nos coube tão bem.
"Com quantos tragos te trago pra mim? (Alice)"
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