quinta-feira, 9 de junho de 2016

Paz-sou (?)


Saudade: do Português brasileiro, 
desejo de voltar ao passado,
lugar onde só chegar quem amou,
estar no presente ansiando ontem's,
ato de voltar no tempo,
desejar profundamente reviver algo,
fotografia molhada de lágrimas,
presença que não passou,
ausência que não chegou,
líquido salgado que escorre pelo rosto,
Elizabeth, Dicionário de vivências;

Aprendi que saudade sem dor é a presença de quem já partiu.
É abraçar as lembranças,
É paz na tempestade,
É o cheiro da pele impregnado no nariz da alma,
É a certeza de que o amor existiu.
É ter o hoje iluminado pelos olhos de quem passou,
É se envolver na energia do que ficou.
Sou só saudade, e ela (a saudade) até tem nome.
Só não tem tradução.



"Eu aprendi
sem a gramática
que saudade
não tem tradução". 

domingo, 15 de maio de 2016

habit-ação

Elizabet está de mudança, seu apartamento parece apertado demais já que traz consigo uma bagagem enorme de sentimentos e vivências.
Ela possui um apartamento do outro lado da cidade que estava alugado, resolveu pedir de volta, já está com as chaves em mãos.
Decidiu voltar...
Ela sabe que só pessoas fortes conseguem dar um passo para trás na vida, e às vezes faz-se necessário voltar o relógio pra pôr em ordem algumas pendências.
"Carece de ter coragem!"
Encaixotou suas coisas, seus livros, deparou com lembranças adormecidas pela casa que a fizeram refletir o passado, o presente, o futuro.
Elizabet chorou sentada no chão da sala, não sabe se pelo frio que tomou conta de seu corpo, ou se pelas paredes que pareciam sufocá-la. Como se elas (as paredes) tivessem vida e saíssem de seus lugares pressionando-a contra ela própria.
Mas não tem problema chorar, umidifica esse ar seco, essa cidade de pessoas secas... Elizabet, intensa que só, faz chover. Sai de si e baila no compasso de seu coração debaixo de sua tempestade particular.
Ela muda... Bota tudo no lugar na casa nova.
Só.
Sabe que embora sozinha, sua chuva trouxe uma enxurrada de pacificação interior, e entende que o que importa é sentir-se em paz consigo mesma.
Proprietária de si, tem um coração tão grande que não cabia na casa que habitava. Anseia por amar... Sem limites, sem reservas, sem restrições, mas sabe também que não pode Se esquecer para que isso aconteça. Não pode se abandonar no chão da sala, é necessário a-mar-se antes de mais nada.
Sem inquilinos.
Ela cuida do recinto e só aceita visitas de quem se demora, no chão ou, no sofá confortável da casa nova. De preferência alguém que goste de café forte, vinho seco, cigarros, conversas filosóficas ou fiadas. Gente sem relógio, sem hora, sem meio termo, gente que se doa, que entrega, que demore, que fique...
Que fique acompanhando-a na essência e não somente roube sua solidão.
Elizabet mudou de casa.
Mora dentro de si própria. E hoje, só entra quem for realmente ficar.
A porta está trancada do lado de dentro.
E que 'dentro' gostoso de habitar.



"Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa" 
♪♫





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

cho-vendo amor


É tempo de seca onde vive Elizabeth...
Lagos e rios, pessoas secas, poços secos.
Carece de umidificar o ambiente de fora e de dentro.
Poderia ser mais fácil, menos dolorido.
Amar dói e a falta dele também faz doer.
Viver é dolorido né?
E conviver com as ausências faz tudo intensificar.
Quem sabe se chovesse...
"Quem sabe se chovesse amor?" (Pensava a menina que sonhava acordada.) E enchesse os reservatórios/corações.
Mas é pedir demais, porque há tempo pra tudo não é verdade?
E agora é tempo de esperar a época certa em que choverá dentro e fora.
Mas Elizabeth é ansiosa e sofre com os tempos de espera.
Ela quer voltar pra casa debaixo da chuva, aquelas com pancada forte d'água e enche os lagos, e faz as cachoeiras jorrarem mais fortes, e traz de volta a água dos poços.
Elizabeth carece de voltar com o balde cheio, e poder distribuir afeto pra todos à sua volta.
Mas é tempo de espera... Pra quando chegar 'as cheias' poder se encher também.
Deixar chover, deixar molhar... lavar a alma e se encharcar do afeto que vêm do céu.
E se chovesse amor?


domingo, 17 de janeiro de 2016

Desejos


Bebo sem hesitar uma garrafa de whisky.
Devoro um maço de cigarros baratos.
Viro noites em claro acompanhada por garrafas que vão se esvaziando.
Vinho, vodca, cachaça...
Cigarros.
Insônia.
Ela por sua vez tem nome, sobrenome e endereço fixo.
E eu, me entorpeço do desejo que tenho de ti.
Vou ingerindo álcool por não poder beber da fonte que é teu corpo.
Trago os cigarros por não poder tatear tua pele.
Viro noites em claro sonhando em possuir-te de forma única.
Monogâmica.
Sem rimas ou métrica, quero-te pra mim!

"Ah, bruta flor do querer!" 

"Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és" 

ópio


Aprisionada, fui ficando ansiosa, suando frio, não cabia dentro da casa, muito menos de mim.
Minha carcaça parecia uma armadura que encolhe aos poucos, esmaga a alma e sufoca o coração.
O coração por sua vez disparava.
Taquicardia, desespero, as veias saltavam a meus olhos.
Conseguia ver tudo a olho nu.
Por falar em nu, eu me despia do silêncio e botava pra fora todos os sintomas da abstinência de você.
Têm feito falta o efeito do ópio em meu organismo. É que um analgésico às vezes cai bem e esse corpo já tá cansado de se debater e perder o controle dele próprio.
Ele quer as rédeas novamente pra poder guiar seu destino, sem precisar de entorpecente nenhum pra isso.
Preciso de uma reabilitação com urgência antes que a engrenagem canse e resolva parar.
Preciso de óleo nas ferrugens de gente.
Preciso de reparação na armadura.
Preciso de mapa pra guiar o destino.
Um remédio qualquer que cure os sintomas do excesso de faltas, que supra as necessidades da alma.
Uma chave que possa abrir a armadura e a prisão de ser.
Uma dose de liberdade por favor?






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

su(a)-ndo


Elizabeth é dessas garotas que gosta de sair de si vez em quando, hoje ela decidiu que vai correr, não que queira ser essas moças fitness, mas é que ela precisa suar e botar pra fora um sentimento e outro.
O dia ta chuvoso, cinza, mas Elizabeth não se incomoda com a umidade do clima. (Aprendeu a diferença de clima e tempo.)
Ela corre contra o tempo, ou ao encontro dele não se sabe...
Deseja arrebentar um muro no peito, cortar os pulsos, pular de pára-quedas, correr, correr, correr pra abstrair um sentimento ou outro que martela chamando sua atenção.
Chora de dentro pra dentro, engole o choro, mistura com saliva e a hemorragia do sentir.
É que correr aumenta a pressão sanguínea e a intensidade dos sentidos. 
Nem por isso ela pára. 
Suas expressões nada mais são, se não a extensão do que sente. 
Dor antiga. 
Corrida antiga... 
Tem corrido há tempos atrás de um amor que não se sabe se ama, não sabe que ainda é. 
Importa que continue correndo, suando, botando pra fora todo extremo sentido que habita esse coração cansado. 
Carece de se hidratar vez ou outra, que é pra não desmaiar no meio do caminho. 
Carece de estancar o sentir, sentar num meio fio qualquer e descansar a alma.
Carece de parar a corrida do/contra tempo. 
Carece de encontrar o que busca, parar, respirar, e sentir a chuva que cai sobre o rosto molhado. 
Uma toalha pra secar o suor da alma por favor? 


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ver(ter) amor


Acho que exagerei  na dose outra vez.
Não tem Dramin que resolva esse enjoo.
O problema é que não me contento com pouco sabe?! Cheguei, sentei à mesa e mandei pra dentro tudo que pude.
Tinha amor numa garrafa, afeto num potinho, atenção no outro, carinho tinha bastante. Deu pra me embriagar.
Até servi o resto das pessoas que estavam na casa, e sobrou.
Todo mundo cheio de doçuras.
Mas como diz o ditado: barriga cheia pé na areia."
Não hesitou na hora de ir. e foi cedo.
Agora cá estou, Elizabet, com má digestão do afeto ingerido.
Quero vomitar.
Vomitar meu coração e segurá-lo na mão pra ver se o mal estar passa.
Coloco o dedo na garganta e... arrrrrg.
Não sai.
Tá preso.
Tá cheio do vazio que restou.
Um Engov pra esse coração por favor?!