Porque essa capacidade, infinita, de se encantar com as belezas da vida, carece de um Canto específico.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
efêmero
Elizabeth, sagaz que só, inteligente, já lera muitos livros, muitos teóricos...
Percebeu que teoria nenhuma foi capaz de proporcioná-la entender a própria vida, ou analisar a solidão do apartamento à meia luz.
Ela já não sabia se era dia ou noite, perdeu as contas de quantos dias estava trancada ali dentro. Nem é boa com números mesmo, não faz questão de contá-los.
Conhecera à custa da própria carne o que eles chamam de liquidez...
Viu seus músculos e suas forças se esvaírem como água que escorre pelo ralo, ou como a enxurrada de chuva forte.
Viu suas relações débeis indo embora como um barquinho de papel que é colocado sob o leito de um rio furioso.
Efêmero... tudo era efêmero, mas Elizabeth é uma estaca fincada em solo firme, que vendaval nenhum leva.
Por isso ela vê tanta coisa sendo levada. Elizabeth fica.
O que tem de concreto são as paredes do apartamento, no centro da cidade, decorado por ela. A personalidade dela está impregnada em cada detalhe... e é nisso que ela se apega.
Tolice pensar que se trata de uma mulher fraca. Há que se ter muita força para ver tanta coisa que um dia lhe foi importante ir embora com a enxurrada.
Sentada em seu sofá, viu a liquidez, que Bauman já havia falado, cicatrizado em sua pele.
A marca estava lá. Única coisa que não lhe fora tirado.
Outras tempestades virão, e levarão de si outras coisas que lhe são importantes.
Importa que esteja fixa em solo firme.
A liquidez pode chegar, pode marcar, mas não pode levá-la.
Chamam isso de evolução, mas ela prefere o caminho inverso se assim o for.
De efêmero já basta a vida!
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